quarta-feira, 11 de abril de 2018

Caim*

É com grande satisfação que publico aqui neste espaço a terceira produção do Professor Mestre em Letras e meu agradável amigo Aglailson Lopes. Baseado no livro Caim de José Saramago.


* Por Aglailson Lopes, professor Mestre em Letras pela UFC.


Um dos livros mais recentes de Saramago conta a história de um personagem bíblico estigmatizado pelo assassinato do irmão, trata-se de caim[1], filho primogênito de adão e eva. Nesta retomada de questões bíblicas, Saramago apresenta um personagem à altura de tantos outros criados por ele, mormente aqueles apresentados no seu evangelho, como Maria, Maria Madalena e o próprio Jesus. Caim é um dos personagens masculinos de Saramago de muita dimensão, o que é raro em Saramago, uma vez que a narrativa, intrínseca e extrínseca, depende dele de cabo a rabo. Caim é o filho que não mantém relação filial com os pais biológicos, pois adão e eva são apenas coadjuvantes numa história onde o filho predomina. E deus? Deus é um senhor de onisciência duvidosa, mas de onipotência capaz de assassinar crianças. E caim nunca deixa de lembrá-lo disso, acusa-o pelos distúrbios humanos. Caim é a imagem e semelhança de deus, um senhor capaz de mais destruir do que construir. Para Saramago, e isso se faz perceber em suas narrativas bíblicas, o homem não é a imagem e semelhança de Deus, Deus é que é a imagem e semelhança do homem, visto ter sido invenção deste. Caim é o ser humano em sua maior essência, e não é a espiritual.  É o ser em busca de algo, talvez dele mesmo, mas precisa por si mesmo conhecer o mundo, ou o mundo que se conhecia a sua época. Caim trafega entre a história, a filosofia, antropologia, arqueologia, sociologia, mas pouca religião. De religião o livro de Saramago apenas faz denúncias, sem entrar no mérito da questão, é, pois, um relato que se estende do personagem que intitula a narrativa até o leitor enganado por uma história que poderia ter sido a de um hagiógrafo, porém esbarra nos limites humanos, no caso a trajetória de vida caim, que de santo não tinha nada, nem o queria ter. A narrativa não poderia começar diferente, inicia-se pelos pais biológicos de caim, ou a tentativa do senhor de povoar com o ser humano o mundo. Como não poderia deixar de ser, inicia-se com ironia, marca de Saramago na maior parte de suas narrativas.

Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo.[2]

Se o leitor bem observar, desde o início da narrativa Saramago põe em dúvida a onisciência de deus. O senhor não passa de um ser com os mesmos predicados humanos. Se erra, busca responsabilizar outro, mas se esse outro não existe, irrita-se consigo mesmo, no entanto procura resolver a situação a sua maneira e gosto. Aqui o autor duvida da divindade de deus e chama o leitor para compactuar com a sua conjectura. O deus saramaguiano não é um ser que se desgaste por pouco, dá logo um jeito para solucionar um problema, mesmo que a solução seja contestada mais adiante. Saramago não se pretende teólogo, mas questiona a autoridade e autenticidade de deus, mesmo que isso se faça em uma simples ironia, como a anteriormente transcrita. Se deus cria, inventa e contempla, esse mesmo deus te deixa ao deus dará, ou seja, joga o que criara para se resolver, uma vez que a principal parte já fora feita, deus te criara, daí agora é contigo, vai e vive sem perturbar o senhor. Mas caso o perturbes, aguenta as consequências, pois a ira de deus não poupa nem a menor das criaturas. Caim, o personagem de Saramago, percebe isso, e para se defender cria situações delicadas para o ser divino. Questiona deus não como divindade, mas como um ser à imagem e semelhança do homem. Saramago apresenta esse deus tal qual se percebeu no seu evangelho segundo Jesus Cristo, não é todo amor, mas pura ira e vingança. Podemos arriscar que o deus saramaguiano é um ente que, para existir, tem que se confrontar com a sua criação, ou seja, deus está sempre se embatendo com o homem, mulher e quem mais lhe tentar tomar a frente. E caim? Bem, caim está nas mãos de deus desde o assassínio do irmão abel. Na passagem que se segue, há um breve ideia do motivo que o levou a matar o irmão. Saramago tenta completar uma lacuna do texto bíblico. Consegue? Isso vai depender da dimensão a que o leitor pretende chegar. Vejamos, pois, o relato.

Estava claro, o senhor desdenhava caim. Foi então que o verdadeiro carácter de abel veio ao de cima. Em lugar de se compadecer do desgosto do irmão e consolá-lo, escarneceu dele, e, como se isto ainda fosse pouco, desatou a enaltecer a sua própria pessoa, proclamando-se, perante o atónito e desconcertado caim, como um favorito de deus.[3]

            Não era de se admirar que caim entrasse em estado de transtorno, porque deus dedicava mais atenção a abel do que a ele. Um deus que glorifica um em detrimento do outro não era concebido pelo atónito caim, era, pois, um deus escarnecedor, um pai sem a menor consideração pelo mais fragilizado, senão física, mas emocionalmente.
Caim vai ao encontro de deus após o fratricídio, defendendo-se de forma ríspida. Diz que o senhor é também culpado, porque, se o sabia um assassino, então que evitasse a pendenga fraterna. Deus concorda, mas o pune. Deus o pôs a perambular pelo mundo com uma marca na testa, como se essa revelasse quem era caim e o protegesse dos desígnios humanos. Assim sucedeu. Caim sai à procura de algo que lhe atenue a angústia de ter matado o irmão, sem qualquer “motivo para orientar os seus passos numa direcção precisa”. Sente que a vida lhe reserva alguma coisa e, institivamente, sai em busca de uma resposta que, pelo menos, deixe-o em paz consigo mesmo. Encontra trabalho, mulher, sexo, muito sexo, e algo que não consegue explicar, de repente se encontra em ambientes desconhecidos, entrando em contato com pessoas distantes no tempo e no espaço, a saber: lilith, abraão, moisés, josué, lot, job noé, a esposa, os filhos e as noras de noé, satã e outros de menor expressão narrativa.
Não compreendendo o real sentido da passagem de um tempo a outro, caim se deixa conduzir pela situação, suspeitando sempre que o senhor estaria por trás desse desnível temporal. Como resposta entra no jogo. Verifica as atrocidades que ocorreram em nome de deus. Cerifica-se de que esse deus não mede esforços para aniquilar aqueles que o atravancam os seus desejos. Morte, adultério, incesto, enfim, tudo permitido, se nada atrapalhasse os desígnios do senhor. Testemunha até um acordo entre deus e satã para a infelicidade de job. Como pode deus duvidar de um servo, se esse servo sempre lhe foi obediente? Questionava-se acerca de job.

Infelizmente foi pior que tudo o que se poderia esperar. Munido da carta de plenos poderes que lhe havia sido concedida, satã atacou ao mesmo tempo em todas as frentes. Um dia em que os filhos e filhas de job, sete, eles, três, elas, estavam à mesa a beber vinho em casa do irmão mais velho, um mensageiro, precisamente o nosso conhecido caim, que, como sabemos, trabalhava com os asnos, veio dizer a job, Os bois lavravam e as jumentas pastavam perto deles, de repente apareceram os sabeus e roubaram tudo e passaram os criados a fio de espada, só escapei eu para te trazer a notícia. Ainda caim estava a falar quando chegou outro mensageiro e disse, O fogo de deus caiu do céu, queimou e reduziu a cinzas as ovelhas e os escravos, só escapei eu para te trazer a notícia. Ainda este não se tinha calado e outro chegou, Os caldeus, disse, divididos em três quadrilhas, lançaram-se sobre os camelos e levaram-nos depois de terem passado os criados a fio de espada, só escapei eu para te trazer a notícia. Ainda este estava a falar, e eis que entrou outro e disse, Os teus filhos e as tuas filhas estavam a comer e a beber vinho em casa do irmão mais velho, quando de repente um furacão se levantou do outro lado do deserto e abalou os quatro cantos que desabou sobre eles e os matou a todos, só eu consegui escapar para te trazer a notícia. Então job levantou-se, rasgou o manto e raspou a cabeça, feito o que, prostrado por terra, disse, Saí nu do ventre de minha mãe e nu hei-de voltar ao seio da terra, o senhor mo deu, o senhor mo tirou, bendito seja o nome do senhor.[4]

É de se estranhar a sequência de fatos trágicos que caem sobre a vida de job. Como que por milagres as tragédias acontecem, melhor, como que por obra de deus as tragédias acontecem. Se deus sabia da obediência de job, por que o haveria de testar? Era algo inconcebível para caim. Além do mais, o próprio deus permitiu que seu inimigo atacasse o seu servo. As dúvidas de caim sobre os ditames de deus faziam sentido, uma vez que deus dava motivos suficientes para que o filho de eva e adão ficasse intranquilo no que toca à figura divina.
Segue a vida até caim encontrar um novo tempo. Um tempo em que deus decide que tudo sobre a terra deve perecer. Mas como isso poderia acontecer, se deus foi o mesmo criador daqueles e daquelas a quem ele chama de perdidos? Na concepção limitada do ser humano, o ser humano no caso é caim, deus nos faz de fantoches para o que lhe aprouver. Usa de noé e de sua família para repovoar a terra, para tanto põe caim entre eles para ser uma espécie de reprodutor que cobre as noras de noé. Mas caim tem um plano. Se essa raça criada por deus tem que acabar que comece no seio em que deus decidiu como puro, isto é, a família do velho noé. Caim assassina a quem deus designou para repovoar o mundo, como que a dizer para o próprio deus, “se começou tudo errado, por que haveremos de dar continuidade a esta existência, que tudo se acabe, e que deus assuma as suas responsabilidades.” E deus debate com caim

Então a nova humanidade que eu tinha anunciado, Houve uma, não haverá outra e ninguém dará pela falta, Caim és, e malvado, infame matador do teu próprio irmão, Não tão malvado e infame como tu, lembra-te das crianças de Sodoma. Houve um grande silêncio. Depois caim disse, Agora já podes matar-me, Não posso, palavra de deus não volta atrás, morrerás da tua natural morte na terra abandonada e as aves de rapina virão devorar-te a carne, Sim, depois de tu primeiro me haveres devorado o espírito.[5]

A destreza de Saramago de dar voz aos personagens de menor intensidade histórica é única na contemporaneidade. Caim poderia perfeitamente se contentar com os apelos sexuais que lilith lhe proporcionava. Mas não. O filho de eva e adão, estigmatizado nas vertentes religiosas do judaísmo e do cristianismo, não se contenta em se limitar aos apelos do sexo, que, de forma indireta, através de lilith, o senhor o queria como escravo. Caim vai atrás de um sentido, mas se depara com a intransigência divina, então decide caim que o melhor é acabar com tudo o que foi criado, visto que deus sempre encontrará motivos para rever o que ele mesmo fez, o que é um paradoxo, visto que, se deus é, como fazer e refazer? Onde está, pois, a perfeição divina? Termina a história. Ao seu estilo, com diálogos intercalados nos períodos, a ironia e o questionamento filosófico, Saramago deixa em dúvida crentes e ateus sobre o sentido da vida concebida e concedida por deus.

 

[1] Idem, ibidem, p. 172



[1] Os nomes dos personagens de Saramago são marcados com inicial minúscula, daí, ao grafarmos o nome do personagem com inicial minúscula, estamos nos referindo ao personagem criado por Saramago.
[2] SARAMAGO, José. Caim. São Paulo: Companhia da Letras, 2009, p. 9.
[3] SARAMAGO, José. Caim. São Paulo: Companhia da Letras, 2009, p. 33
[4] Idem, ibidem, pp. 137-8.
[5] Idem, ibidem, p. 172

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sobre o hoje e o amanhã - Sobre alienação e senso comum.

Estudamos para sermos menos idiotas; estudamos para sermos menos imbecis. Estudamos para sabermos cuidar melhor de nós mesmos; estudamos para sabermos melhor cuidar do mundo.

No entanto, parece que não esta acontecendo nada disso. Parece que quanto mais estudamos e nos aventuramos pelos caminhos rebuscados das ciências, mais idiotas nos tornamos, mais intolerantes, mais bárbaros e menos civilizados.         

Segundo especialistas da contemporaneidade estamos na chamada " Era da informação" e dentro deste fenômeno algo tem ganho grandes proporções - sim, estamos falando da Alienação, que sobre a tal o Mestre Geógrafo Milton Santos afirma que: " A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une." E é exatamente por causa desse fato que não esta ocorrendo o que deveria ser o objetivo principal da Política na visão de Aristóteles: "criar a amizade entre membros da cidade." Infelizmente está ocorrendo o que também afirma Friedrich Nietzsche: " Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos. Tal comportamento não é política e sim politicagem, ou seja a prostituição da Ciência Política; acredito ser por causa disso que Platão afirmou: " O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus." 

O que nos faz voltar a Alienação! E sobre tal coisa o grande Mário Quintana diz: Eu só pediria licença para lembrar que os alienados são precisamente os que têm uma ideia fixa. 

É por isso povo bonito, que nestes tempos de polarização, intolerância e ódio temos que ter muito cuidado com as informações, teses e antíteses; reflitamos então sobre o que nos diz Augusto Cury - "Nada é tão perigoso para aprisionar a inteligência do que aceitar passivamente as informações." 

E, para concluir por enquanto e enquanto professor e educador, fico com Renato Russo:

 “A juventude está sozinha; 
Não há ninguém para ajudar; 
A explicar por que é que o mundo; 
É este desastre que aí está.”

sábado, 3 de março de 2018

...E o Rio de Janeiro continua lindo?


O Rio de Janeiro continua lindo...O Rio de Janeiro continua sendo...

Assim começa a bela composição do grande Gilberto Gil gravada em 1969. 

O Rio de Janeiro, a segunda capital federal do Brasil, onde estão os belos palácios como o do Paço Imperial, o palácio das Laranjeiras, o prédio neoclássico do Museu Nacional, o palácio do Catete, o palácio Tiradentes, a Academia Brasileira de Letras...dentre tantos outros.

O Rio de Janeiro dos mares de morros, da baía e enseadas perfeitas, da mata atlântica e o mico-leão-dourado.

O Rio de Janeiro dos Tupinambás, dos Tamoios e dos Maracajás,
 hoje é terra que jaz.

Jaz no leito do descaso e dos desmandos. Jaz no túmulo dos escândalos e da corrupção montados no lombo do PMDB e galopando com pezão. 

Uma das coisas mais belas do Rio de Janeiro são os morros. Hoje desordenadamente ocupados e vergonhosamente explorados e subjulgados. Nos morros do Rio e bem como nas demais comunidades periféricas das grandes cidades brasileiras estão homens e mulheres simples e trabalhadores, estão as pessoas expurgadas da elite nacional.

E sim, também nas comunidades se escondem alguns bandidos perigosos e os "pirangueirozim" chinfrim nosso de cada dia. E sim, nas comunidades também estão as bocadas de cocaína que alimentam as elites das coberturas.    

Povo bonito o enfrentamento da violência só terá algum êxito se investirmos nas pessoas, nas famílias. A produção taylofordista de bandidos e marginais só poderá ser amenizada com o cuidado às crianças e jovens e o plantel de corruptos só será ceifado com muita educação e justiça justa e verdadeiramente cega.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

E por falar em armas - a morte campeia montada nelas.

Não existem balas perdidas. Existem balas que matam pessoas. 

Os grupos de homens organizados e armados para defender territórios e outras posses foram formados a mais de 2.500 anos atrás. Os agrupamentos primeiros lutavam com lanças, machados e adagas, e os “tanques”, os blindados, os" caverões", as viaturas da época eram carruagens, com um condutor e um guerreiro armado com dardo ou arco composto – feito com ossos, tendões ou feixes de madeira. Segundo pesquisadores e pesquisas especializadas até honradez existia nesses agrupamentos e nesses confrontos.

E hoje, quem são esses agrupamentos e que armas usam? Quem pode usar armas? Quem tem o direito de portar armas? Para que portar armas? Para que fabricar mais e mais armar???

O que dizem o senso comum e aqueles que possuem o raciocínio tão profundo quanto um pires? - Respostas da mesma natureza, ou seja, do tipo senso comum e tão profunda quanto um pires.

Defendo baseado nas legislações mais humanizadas e nos acontecimentos grotescos da atualidade que armas só podem estar nas mãos de dois grupos de indivíduos: um por direito e funções delegados pelo Estado e o outro por afronta ao primeiro.Refiro-me aqui às forças constituídas pelos Estados- Nações como polícias e exércitos e aos grupos de indivíduos que afrontam os direitos individuais e coletivos também chamados de bandidos ou marginais. Em uma sociedade realmente civilizada nem as forças constituídas "legalmente" precisaria de armas.

Nós os seres que se dizem humanos estamos a cada dia se desumanizando e se embrutecendo cada vez mais. Estamos nos tornando bestas horrendas e nos autodestruindo.

NUNCA foi,  NÃO é e
 JAMAIS serão as armas as promotoras e mantenedoras da paz. 
E por falar em armas: a morte campeia montada nelas.

Mãe desmaia em sepultamento de menino atingido por "bala perdida" no Complexo da Maré/RJ. 
Vânia Moraes, a mãe de Jeremias morto aos 13 anos por bala...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Aos estudantes: venham de onde vier...Cheguem de onde chegar!



Olá, quem é você?
Olá, o que vieste aqui fazer?
Não me interessa; não quero saber.
No entanto, um pedido tenho a lhe fazer:
Hoje, agora neste dia em estamos aqui a lhe acolher:

- respeite mais;
- cuide mais;
- leia mais;
- ame mais.

Olá, de onde veio?
Do Bom Jardim ou do Riacho Doce?
Da Aerolândia ou da Parquelândia?
Do lindo Pirambu ou do belo Jangurussu?
Da Parangaba ou das Cajazeiras?
Ou da Messejana, passando pela antiga Paranjana?  

Como aqui no AB tu vais chegar?
A pé, de ônibus ou de Jumento?
De carona, voando, pedalando ou correndo?

Não conheço sua casa,
Não conheço seu cachorro,
Não conheço o seu lar.

De uma coisa eu penso que sei,
É aqui tua família te botou pra estudar,
Não sei se querias vir.
Só sei que aqui “tu está”.
De outra coisa eu também sei...
Não venha aqui pra vacilar.
Não nenhum preconceito aqui pra desfilar;
Não permita que a ignorância e a arrogância queiram nesta casa vomitar.

Aqui a gente te acolhe,
Sem olhar sem saber quem;
Aqui se tu quiseres poderás dizer Amém,
Poderás dizer Aleluia e Oxalá também.
 Aqui a gente fala e não se cala.
E, se preciso for
Vamos pra rua juntos,
protestar por mais amor. 

Aqui todo mundo é bem-vindo,
O vermelho e o azul e até quem não tem cor...
Pode chegar meu bem!

Aqui todo mundo é bem-vindo,
Sexuados e assexuados do além.

Ninguém vive sem comer,
Ninguém vive sem beber.
Ninguém vive sem alimentar,
Ninguém vive sem cagar.
O que nos diferencia das lombrigas,
é elas não sabem pensar.
O que nos diferencia dos vermes,
É que eles não sabem amar.

Isto aqui é uma Padaria,
tem este pão aqui,
e tem pão bem acolá.
Tu cantas daí,
Que eu canto de cá.
Sou Henrique Gomes de Lima,
um professor que tenta, de atenta
e que vai te respeitar.
Vamos nos diverti juntos,
Porque a “bagaça” vai começar!
   

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Assédio sexual na escola. Isso existe? Isso acontece? Mentira cara pálida! Me recuso a acreditar!

Leciono há vinte anos; estar na sala de aula é uma das maiores satisfações da minha vida. Afirmo que se nascesse 10 vezes, gostaria de continuar professor todas as 10 vezes. É por isso que muito me fere ter que concordar com o fato de que existem "professores" cometendo  CRIME de assédio sexual em unidades de ensino espalhadas pelo Brasil e pelo mundo afora.

Nos últimos tempos nunca se falou tanto em assédio sexual. E que bom que estamos falando nisso. Infelizmente é um fato real e que está presente em todos os lugares: ocorre na rua, na pracinha, no trabalho, na igreja, em casa e pasmem...até nas escolas! E tem pseudoprofessores cometendo tal crime, acreditam?
A definição de assédio sexual inclui palavras ou atitudes sexuais indesejadas que têm o objetivo ou efeito de criar um ambiente constrangedor, hostil, humilhante ou ofensivo para a vítima. Pode ser algo que acontece uma única vez, mas quando ele se torna uma rotina, a vida da vítima pode se tornar um pesadelo. Se você estudante, for vítima de assédio sexual, depende de você tomar a primeira atitude: busque força e enfrente o agressor, peça-o para parar e denuncie futuros incidentes para um adulto confiável da escola. A escola então deve tomar uma atitude para manter seu ambiente de aprendizado livre de assédios sexuais.

Estudante, não se culpe!

Você não pediu para ser assediada(o). Por isso, não deve negar o que está acontecendo ou subestimar os efeitos do assédio. Se estiver sendo sexualmente assediado(a), você não está exagerando. O assédio sexual pode ter efeitos psicológicos imediatos e cumulativos que podem arruinar a autoestima e a vida de uma pessoa. É essencial que você tome atitudes para impedir o assédio. 

O assédio sexual nas escolas é mais comum do que parece. Estudos já comprovaram que mais da metade das meninas – e muitos meninos – sofreram pelo menos uma situação de assédio no ensino médio ou fundamental. E embora algumas pessoas possam afirmar que são apenas “crianças sendo crianças”, as vítimas podem sofrer com muitos maus efeitos no futuro. 
 A educação sexual é obrigatória nas escolas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB nº. 9.394 de 20/12/96. E há mais 10 anos é obrigatória pelo Ministério da Educação. O objetivo é preparar as pessoas de forma saudável e segura para o exercício da sexualidade. Mas isso não significa estimular a precocidade da sexualidade como alguns tentam aludir, mas trabalhar a ideia de sexualidade relacionada ao afeto, respeito, cidadania, melhorando a auto-estima e a segurança de jovens para escolhas mais sensatas e protegidas de riscos. Inclusive, evitando casos de abuso ou exploração sexual. As unidades de ensino não devem se furtar a debater tal situação de forma coerente, sensata e fundamentada nos caos reais e nas leis vigentes. 

Estudantes, seguem aqui algumas dicas e sugestões de pesquisadores e órgãos que lidam com a prevenção, o cuidado, o monitoramento e a punição desse tipo de crime:

  • Você não é a única pessoa no mundo que foi assediada sexualmente. Existem milhares de casos semelhantes. Não se sinta sozinho(a), porque você não está. Tocar ou ameaçar tocar alguém de maneira sexual é crime na maioria dos países. Muitos lugares têm leis que consideram a perseguição ou o assédio contínuo um crime. As vítimas de assédio podem denunciar o caso à polícia e iniciar um processo criminal contra o agressor em alguns casos.
  • Mesmo que alguém esteja apenas flertando com você, se você não quiser que o façam, peça que parem antes de se transforme em assédio sexual. Se você estiver praticando qualquer coisa descrita como assédio sexual, pare. Você não sabe quanta dor vai causar em suas vidas. O assédio sexual nem sempre é de homem para mulher; um homem pode assediar sexualmente outro homem e uma mulher também pode assediar outra mulher ou um homem.
  • Encontre pessoas que acreditem em você e com quem você possa conversar sobre o que está acontecendo. Você não precisa passar por isso sozinho(a).
  • Respostas eficazes da parte da escola dependem da gravidade da situação. O acompanhamento da escola pode incluir aconselhamento para o agressor, conversas mediadas entre o agressor e a vítima, além de ações disciplinares, incluindo suspensão, expulsão e/PRISÃO.
  • Mesmo que alguém esteja apenas flertando com você, se você não quiser que o façam, peça que parem antes de se transforme em assédio sexual.
  • Se você estiver praticando qualquer coisa descrita como assédio sexual, pare. Você não sabe quanta dor vai causar em suas vidas.
  • O assédio sexual nem sempre é de homem para mulher; um homem pode assediar sexualmente outro homem e uma mulher também pode assediar outra mulher ou um homem.
  • Encontre pessoas que acreditem em você e com quem você possa conversar sobre o que está acontecendo. Você não precisa passar por isso sozinho(a).

  • A página acima é um lugares em que estudantes podem denunciar tais criminosos. E, se não são criminosos, são no mínimo doentes.